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Salão de Milão 2022: o que esperar do Brasil no maior e mais importante evento de design do mundo

Começa hoje (7) a edição de 2022 do Salão do Móvel de Milão, o maior e mais importante evento internacional de design e mobiliário. Considerado uma vitrine de qualidade, criatividade e inovação, o evento reunirá até o dia 12 de junho 2.175 expositores de todo o mundo na capital mundial da moda e do design.

A edição deste ano da feira promete uma ênfase maior na sustentabilidade e na consciência ambiental na produção de móveis. “O Salão firmemente acredita na necessidade de uma verdadeira e imediata transformação ecológica, e é por isso que decidimos ser um acelerador de comportamentos virtuosos e éticos. A sustentabilidade do evento é a alavanca competitiva que queremos focar”, afirma a presidente do Salão do Móvel de Milão, Maria Porro.

Ao todo, são cerca de 30 países participantes – entre eles, o Brasil. Com cada vez mais reconhecimento mundo afora, o design brasileiro apresentará na feira coleções autorais de artistas nacionais, colaborações com grandes nomes internacionais e itens que misturam materiais e a cultura nacional com referências globais.

ETEL

Na edição deste ano da feira, o grande destaque da marca de móveis de luxo brasileira será o projeto “Uma estória de dois continentes”, com coleções que interligam o Brasil com a Itália a partir de dois grandes nomes do design: Jorge Zalszupin e Cristina Celestino.

A primeira parte celebra o centenário de Zalszupin, arquiteto e designer polônes naturalizado brasileiro na década de 1950 que é considerado um dos grandes expoentes do design moderno nacional. Falecido em 2020, ele completaria seu 100º aniversário este ano.

Na feira, serão lançadas pela primeira vez em Milão peças importantes do seu portfólio, com uma grandiosa retrospectiva histórica.

“Exibiremos trabalhos nunca antes vistos dele, como uma estante que ele desenhou para uma família polonesa no Brasil e uma escrivaninha da minha coleção particular que eu trouxe para a feira”, conta Lissa Carmona, CEO e curadora da ETEL, à Forbes.

Já a outra coleção é assinada pela designer milanesa contemporânea Cristina Celestino, “um dos nomes mais queridos da Itália no momento e um dos maiores do Salão este ano”, diz Lissa.

Cristina desenhou uma coleção exclusiva para a ETEL, inspirada no Brasil. “Ela fez um mergulho profundo na cultura brasileira, no nosso modernismo, na natureza, nas nossas matérias-primas, formas”, afirma a executiva.

Segundo ela, madeiras brasileiras e a pedra Vitória-Régia foram bastante usadas na linha, assim como materiais italianos – uma representação do encontro entre os dois países. Fazem parte da coleção peças como sofás, mesas de centro, aparadores, poltronas, namoradeiras e floreiras.

“O bonito desse projeto, como narrativa, é que unimos dois europeus que olharam para o Brasil. Um no passado, com peças da década de 1950 e 60, e outro no presente, tendo o design como ponte. O Zalszupin volta à Europa com um tributo a ele, e a Cristina vai para o Brasil”, afirma Lissa.

ORNARE

Única brasileira neste ano no espaço EuroCucina, dedicado exclusivamente às novidades da cozinha na Semana do Design de Milão, a Ornare apresenta três coleções – a Square Round, a Shaker e a Moove -, todas com o intuito de unir beleza, conforto e a utilização de materiais tecnológicos e sustentávei

O destaque principal vai para a primeira, desenhada por Ricardo Bello Dias, diretor de arte da marca, com o Studio Ornare – coordenado pelo CEO Murillo Schattan. “Tudo se fala em termos de orgânicos, peças suaves, com materiais confortáveis”, explica Esther Schattan, sócia da marca. Com referências na proporção áurea, a linha tem armários caracterizados por cantos côncavos ou convexos.

Já a Moove, desenhada pela arquiteta Vívian Coser, tem itens 100% customizáveis compostos por peças versáteis e várias opções de composições – com painéis que se podem fixar ganchos, nichos, prateleiras, gavetas e carrinho gourmet. Em termos estéticos, a coleção mistura formas geométricas com minimalismo.

A ideia vai de encontro com as tendências que Esther observa cada vez mais no mundo do design: “Com a pandemia, as pessoas se voltaram cada vez mais para suas casas e começaram a se preocupar com materiais mais aconchegantes, sofisticados, mas também fáceis de limpar. É o luxo com funcionalidade.”

TRAMONTINA

Participando na feira em 2022 pela primeira vez, a marca brasileira centenária terá como destaque o lançamento da linha MOOD, assinada em parceria com o designer Bruno Faucz. Totalmente de madeira Jatobá certificada e feita em Belém do Pará, a coleção traz móveis modulares que podem ser combinados de diferentes maneiras.

São poltronas, sofás, chaises, mesas e bancos que possibilitam conjuntos facilmente montáveis e desmontáveis. Para assento, encosto e almofadas, são oito combinações de estampas. Com braços altos ou baixos, as peças se ajustam ao humor do dia – por isso o nome da coleção.

Quanto à estreia no Salão do Móvel de Milão, o diretor da marca, André Guerra, diz ter altas expectativas. “Será a oportunidade de reforçar o mundo de soluções e possibilidades para a casa, colocando a Tramontina como player no mercado de mobiliário”, afirma.

“Aliado a isso, observamos a tendência cada vez maior das pessoas voltadas para dentro das casas, apostando principalmente no conceito de sustentabilidade, bem estar e usos mais conscientes. Neste contexto, surge uma grande oportunidade para a madeira, peças com design e que aliam conceitos de consumo consciente de materiais”.

SIERRA MÓVEIS

Ao lado de outras nove empresas, a Sierra integra o Projeto Setorial Brazilian Furniture, realizado pela Apex Brasil em parceria com a Abimóvel, durante o evento “Design Transforma Milão”.

Na exposição, duas peças se destacam, ambas assinadas pelo designer Marcelo Bilac: a Poltrona e o Puff Nonna.

“A característica das peças aponta para uma ancestralidade sob um olhar afetivo e imerso na herança do trabalho feito à mão e na história da Itália para o Brasil. A poltrona é um resgate dessas raízes e representa o mobiliário que usamos para estar com a família e amigos em momentos importantes. As cores remetem à década de 60, com uma leitura contemporânea de linhas curvas que trazem leveza para a peça”, diz Gustavo Tissot, CMO da empresa.

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